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24 de janeiro de 2008

Y.O. Desde 60...


John Lennon uma vez disse que Yoko Ono seria "a artista desconhecida mais famosa do mundo: todo mundo sabe o seu nome, mas ninguém conhece o seu trabalho". Acho que para as pessoas da minha geração, essa frase continua valendo. A referência é ter sido casada com John Lennon e a imagem mais marcante sobre Yoko Ono é daquela pobre viúva que perdera "o marido" famoso, jovem e notável de forma tão trágica.

Conhecia alguns de seus events como o Bed-In, a performance Cut Pieces, que ela reviveu em 2003 em Londres e também seu envolvimento com música, que no início de sua carreira foi o que a aproximou dos artistas que viriam a formar o Fluxus. Mas foi interessante conhecer mais de suas obras, apesar de muitos dos seus trabalhos que eram interativos terem perdido essa qualidade por conta de preservá-los melhor.

Se interar um pouco da biografia também ajuda a compreender melhor o seu trabalho. Mesmo nascida em uma família abastada do Japão, isso não impediu que ela sofresse na pele as agruras da guerra, o que acredito tenha sido uma das influências da fase ativista-político de sua carreira.

Foi uma boa oportunidade, para eu aqui no Brasil, conhecer um pouco mais das obras de Yoko. Alguns críticos dizem que ela já saiu da vanguarda ha muitos anos, mas isso não tira o mérito da sua carreira. Além do mais, ela segue viva e produzindo, e recebendo prêmios, ou seja, colhendo seus louros.


Pra ler algo sobre a exposição Yoko Ono- Uma Retrospectiva:
http://bravonline.abril.com.br/indices/artesplasticas/artesplasticasmateria_258101.shtml

FLOW FLUX FLUXUS

Há duas exposições acontecendo em São Paulo dos artistas Yoko Ono e Tatsumi Orimoto e que tem tudo a ver com esse post porque vamos falar do Fluxus.

Na década de 60 um grupo de artistas de diferentes países (na Europa principalmente Alemanha, Japão, Korea e EUA) e de diversas alas artísticas como artes visuais, música, literatura, arquitetura e design se conheceram e uniram forças para mostrar um trabalho diferente.

Em suas origens, a música experimental de John Cage* (1912-1992, também integrante do grupo) na década de 50 influenciou o artista lituano George Maciunas** (1931–1978) que foi uma espécie de líder e organizou o primeiro evento do Fluxus em 1961 na AG Gallery em Nova Iorque, e o primeiro festival na Europa em 1962.

O Fluxus foi a descoberta de uma nova forma de se ver o mundo. Com algumas influências do dadaísmo (1916-1920) como a estética anti-arte que contesta a sua essência, e uma forte corrente anti-comercialista contra as convenções que guiavam o mercado das artes. É a favor da prática criativa centrada no artista e não nos ganhos comerciais.

Ressalta o valor das coisas simples do cotidiano sob um olhar em parte infantil, curioso, contestador, mas que busca o prazer de se divertir. Foi e é um grupo de artistas que partilham e se deleitam dessa mesma descoberta, da visão do mundo sob uma nova perspectiva.

Resumindo, a filosofia artística ou o que pode definir uma obra do Fluxus é que:

1. O Fluxus é uma atitude (não um movimento ou um estilo);

2. O Fluxus é uma intermedia (através de objetos, sons e imagens do dia a dia cria-se novas combinações de objetos, sons e imagens);

3. Os trabalhos do Fluxus são simples (pequenas obras, textos curtos e breves performances);

4. O Fluxus é divertimento (diversão é um elemento sempre muito importante no Fluxus!).

Alguns artistas do início do movimento continuam ativos e eles mantém entre outros esse site de discussão chamado Fluxlist . Um bom lugar pra começar pra quem quer saber um pouco mais sobre o Fluxus.

A Child´s History of Fluxux, by Dick Higgins é um texto muito fácil (como o nome diz, é para crianças) e interessante que está no site Fluxlist.

(*) John Cage: Compositor norte-americano que entre muitas outras obras e feitos que vão além da música é famoso por criar a composição 4´33´´, onde não existe sequer uma nota a ser tocada.
(**) George Maciunas: É quem cria uma das formas de arte mais conhecidas do Fluxus que são os chamados Flux Box ou Fluxkit.

Ambos tiveram vidas interessantíssima então pretendo falar mais desses artistas numa outra oportunidade.