18 de agosto de 2010

Para Apreciar a Arte - Roteiro Didático


Este é o nome do livro de Antonio F. Costella, artista, escritor e professor, onde ele propõe um roteiro básico para o leitor apreciar de forma plena uma obra de arte. De acordo com o autor, uma análise do conteúdo da obra de arte não pode deixar de considerar dez importantes pontos de vista:


1. O Ponto de Vista Factual


A apreensão do conteúdo factual se concretiza simples e tão somente pela identificação, em nível meramente descritivo, dos elementos que compõem a obra.

Quando muitas vezes, o que se vê na obra pode não ser facilmente identificado pelo observador que não possui familiaridade com o período na qual o obra foi executada, é necessário recorrer a informações externas à obra. E essa compreensão de todo o conteúdo factual da obra favorecerá uma melhor compreensão da obra.

" Do mesmo modo que a Arte sempre ensinou História aos homens, de sua parte a História também nos auxilia a compreender a Arte" (pg. 20).

No caso de obras não figurativas, o conteúdo factual refere-se aos elementos constitutivos do quadro, ou seja, tudo o que pode ser descrito como as formas e cores.


2. O Ponto de Vista Expressional


Esse conteúdo, ao contrário do que possa parecer, é atributo da obra, e não do observador, pois as reações do observador não são fruto do acaso. A escolha do tema, das cores, os traços, as linhas e formas, a composição, tudo é pensado e elegido de forma a transmitir exatamente o sentimento proposto pelo artista. Ou seja, ele induz no observador um determinado sentimento que é habilmente desencadeado.

Portanto o conteúdo expressivo da obra é absorvido pelo espectador, quando somos tomados por algum tipo de sentimento ao observarmos um quadro. Podemos dizer que esse conteúdo foi compreendido quando analisamos o tipo de sentimento que nos provocou e podemos explicar suas causas, o que exatamente foi feito para criar esse efeito.


3. O Ponto de Vista Técnico


A apreciação da obra de arte refere-se à a competência do artista e as qualidades do material. Diz respeito aos elementos materiais e imateriais. Enfim, o material utilizado para executar a obra somado ao conhecimento teórico.

Este ponto de vista já exige certo conhecimento prévio por parte do observador, o que não ocorre com os pontos de vista anteriormente analisados. Exemplos: Além da técnica aplicada na execução, uma pessoa mais


4. Ponto de Vista Convencional


Com as devidas informações iconográficas, a fruição da obra de arte se intensifica.

Os objetos quando exteriorizam aquilo que são e para que servem nos permitem uma identificação direta, mas também podem representar ago além, assumindo o caráter evocativo de alguma coisa neles identificada de maneira indireta. Quando os objetos deixam de ser apenas aquilo que são e passam a sugerir também alguma outra coisa, eles se tornam símbolos.

O conteúdo factual da obra já mencionado anteriormente diz respeito a essa identificação direta, já o conteúdo convencional da obra interessa-se por eles como símbolos.

Para isso, é necessário obter informações sobre o universo cultural em que a obra foi realizada.


5. Ponto de Vista Estilístico


A adaptação de um mesmo tema de acordo ao seu tempo, e ou ao seu lugar, cria um estilo desse momento cultural. Porém a análise desse ponto de vista não se detém na identificação da corrente artística à qual a obra pertence. Pois além desse conteúdo estilístico coletivo, devemos considerar também o conteúdo estilítico individual, resultante da personalidade do artista criador. Mas devemos lembrar que a manifestação de um estilo individual foi suprimido em várias antigas civilizações como a egípcias, bizantina, além de outras civilizações teocráticas onde as obras deviam ser executadas seguindo rígidos padrões e regras. Somente passou a ser fortemente apreciado depois do renascimento.

Somente o aprofundamento no estudo da história da arte nos fornecerá o conhecimento sobre as diversas correntes artísticas e também informações bibliográficas que nos informará sobre a contribuição de cada artista em especial.


6. O Ponto de Vista Atualizado


Este ítem diz respeito à contribuição do observador neste processo de apreciação da obra. pois a fruição artística pressupõe sempre, além da obra em si, a presença de um observador.

A atualização decorre do deslocamento no tempo ou de lugar da obra de arte, pois esta é percebida diferentemente por um novo observador que pertencerá a um outro universo cultural. Dessa forma a noção da existência desse contéudo atualizado da obra nos permite compreender o porquê do valor artístico das obras variarem no tempo e no espaço.

Cabe ressaltar que quando analisamos as obras sobre o ponto de vista atualizado estamos trazendo-as para a nossa optica cultural, e a atualização costuma ser generalizada e coerente, ou seja, tende a ser feita igual por todos de um mesmo ambiente cultural.


7. O Ponto de Vista Institucional


As instituições em geral como os museus, as universidades e veículos de comunicação, hierarquizam as obras de arte atribuindo a elas o que o autor chama de valor institucional. A análise da obra por meio desse ponto de vista pode ser uma forma de atualização da obra, porém observamos algumas diferenças, pois a visão institucional possui um caráter mais formal que a atualização, que se forma por meio de estímulos sociais espontâneos.

No caso da visão institucional incidir sobre uma obra contemporânea em nosso próprio meio cultural, a atualização não irá ocorrer, mas muitas vezes as atualizações ocorrem inclusive a partir de elementos institucionais.


8. Ponto de Vista Comercial


Não podemos nos esquecer da importância do mercado no mundo das artes, ou seja, na valor que as obras adquirem nas mãos de "conhecedores", valor esse totalmente relativo e que gera discussões em vários níveis.

Esse ponto de vista pode estar fortemente relacionado com o ponto de vista institucional, visto que a fama de um artista ou o seu apreço institucional, pode elevar consideravelmente sua cotação no mercado das artes.

As obras de arte sempre tiveram um valor comercial, mas a tendência instaurada durante o Renascimento, intensificada pela Revolução Industrial e o avanço das comunicações, fez com que ela se valorizasse como nunca antes visto.


9. Ponto de Vista Neofactual


O ponto de vista neofactual leva em conta o conteúdo acrescido à obra com o passar dos anos, algo que pode não ter nem mesmo sido previsto pelo artista. Ex: O escurecimento da pintura em virtude do envelhecimento do verniz empregado na tela.

Diferentemente do ponto de vista atualizado, a alteração que ocorre na obra é real e não mental, devemos sempre nos lembrar de que a obra de arte está sempre sujeita a transformações físicas. A simples reprodução para o vídeo de uma peça de teatro é uma modificação do original, as cores do figurino podem não ser representadas fidedigname. Outro exemplo bem significativo são as traduções de obras literárias.

Porém, esse conteúdo neofactual nem sempre é um prejuízo, pois ao mesmo tempo em que a obra original deixa de existir de forma plena, poderá surgir algo novo a partir dela, e talvez tão belo quanto e em alguns casos ainda melhores.


10. Ponto de Vista Estético


Para começar, o valor estético da obra é algo distinto de seu valor expressional que apenas toca ou desperta nossos sentimentos comuns, pois uma obra com forte valor artístico vai além; extasia, enleva e enobrece nosso espírito.

Segundo Harold Osborne, " a experiência estética é um modo de cognição através da apreensão direta (...) é uma ampliação e uma intensificação da percepção sensorial" (A Apreciação da arte, São Paulo, Cultrix, 1978, p. 206). É uma forma de conhecimento através dos sentidos, mas que opera antes de atingir à razão.

Além disso, uma obra de arte de grande valor consegue sustentar longamente o interesse do observador que após absorver o conteúdo estético, parte para a reflexão desse conteúdo que pode ainda gerar novas apreensões num ir e vir constante e interminável.

Dessa forma, a capacidade de apreensão do conteúdo estético é aguçada principalmente através da contemplação reiterada, não necessariamente da mesma obra.


14 de novembro de 2009

Trabalho Descrição V

Exposição: Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo

Local: Sesc Pinheiros - São Paulo




Obra analisada: Istambul, 1964. Acervo da Agência Magnum.

Artista: Henri Cartier-Bresson


Uma banal cena urbana: pessoas descendo uma escadaria, é transformada em uma ótima foto! Este é um exemplo de como a genialidade e aguçada percepção de um artista transforma uma paisagem nada especial em uma belíssima e primorosa composição. Explorou-se a sinuosidade da escadaria. A fotografia tirada de um ângulo na diagonal, valoriza as curvas por quebrar a monotonia das proporções que seriam registradas caso a foto fosse tirada de frente. Além disso, criou-se uma harmonia geométrica com duas linhas paralelas no centro. O corrimão das escadarias à esquerda e à direita formam um ziguezague, cujo efeito é ainda enfatizado e equilibrado com o posicionamento das quatro pessoas que também formam um ziguezague quando mentalmente interligadas. Certamente esta cena-paisagem passaria desapercebida por qualquer um de nós!


Trabalho Descrição IV

Exposição: Matisse Hoje

Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo




Obra analisada: Odalisca com calça vermelha, 1921. Óleo sobre tela. Museu Nacional de Arte Moderna, Centre Pompidou.

Artista: Henri Matisse


A figura principal, uma mulher semi-nua deitada sobre um acolchoado, atravessa o quadro criando uma diagonal do canto inferior esquerdo para o superior direito. Nessa análise de uma primeira divisão do quadro, há praticamente um equilíbrio entres as partes divididas. Já numa segunda suposta bipartição do quadro, atravessando-o com uma linha horizontal que passaria bem ao meio, na altura do umbigo da personagem, podemos verificar um destacado contraste entre as duas metades. Na parte superior, a delicadeza da pose e do olhar da mulher está em harmonia com o fundo da parede decorado em tons frios criando uma atmosfera serena. E na parte inferior, há um predomínio de cores quentes, principalmente do vermelho vivo que cobre todo o chão e que é também a cor da calça em estilo oriental que veste a figura feminina. A escolha desse mesmo vermelho tanto para representar a calça quanto o chão dilui o efeito chamativo que o vermelho criaria se estivesse somente na calça, ao mesmo tempo em que possibilita que este detalhe não deixe de ser importante. Além disso, esse contraste das cores realça a leveza da cena na parte superior.


Trabalho Descrição III

Exposição: O Cubismo e seus entornos nas coleções da Telefônica.

Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo.




Obra analisada: A roupa, 1912. Óleo sobre tela, 99 x 75 cm.

Artista: Natalia Gontcharova


Extremamente vigorosa na apresentação do seu conjunto de elementos, esta obra é considerada cubista mas também possui elementos futuristas, outra forte influência desta artista. O círculo, peça de um maquinário, presente próximo ao canto inferior esquerdo do quadro representa a exaltação do desenvolvimento tecnológico. Outro elemento de destaque é uma granada explosiva, no canto superior também à esquerda, que pode sugerir uma certa glorificação da guerra já que essa figura é colocada harmoniosamente junto às demais, e até mesmo um ornamento singelo é posto abaixo dela para disfarçar uma certa agressividade inerente do próprio objeto. A vivacidade do quadro advém do jogo entre elementos contrastantes. As cores ora são pálidas, como o azul e bege claros mais ao centro do quadro, e ora fortes, no caso do vermelho das letras e tons de marrons escuro na bomba, e na parte superior e inferior do quadro. O contraste da delicadeza de rendas e bordados com símbolos que representam força e velocidade, formam um conjunto nem um pouco monótono.

Trabalho Descrição II

Exposição: Virada Russa

Local: Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo




Obra analisada: Pente Azul-Escuro, 1917. Óleo sobre tela, 133 x 146 cm. Museu Estatal da Rússia.

Artista: Wassily Kandinsky


Nessa obra abstrata a proposta é sentir o quadro através de suas formas e cores.

Há um predomínio de cores frias, principalmente os vários tons de azul, que criam um cenário de comedida serenidade. Essa não inabalável tranquilidade é sugerida por cores quentes espalhadas moderadamente pelo quadro. O vermelho que entra no quadro no canto superior à direita é rapidamente diluído e rodeado por outras cores. Existe também uma curva laranja bem definida que sustenta o quadro na parte inferior. Além de várias outras manifestações de cores quentes em forma de mancha e borrões. A presença dessas cores irradia uma certa instabilidade, a parte escura no canto superior esquerdo contribui para esse efeito. Ao final desse passeio dos olhos perante a obra que emite pulsões através de cores, brilhos, de linhas e outras formas ora ondulantes, ora ziguezagueantes nossa alma é tomada por uma certa ansiedade positiva e aprazível.



Trabalho Descrição I

Exposição: Luz Noturna
Local: Caixa Cultural São Paulo


Obra analisada: Náufrago, 1927. Xilogravura, 15,5 x 17 cm. Coleção Hermann Kummerly.

Artista: Oswaldo Goeldi


O Motivo principal dessa obra dramática tanto pode ser a morte, a solidão, ou o desamparo representado por um náufrago moribundo ao centro da cena. Sua figura cadavérica é representada por grossas linhas que delineam a cabeça, os braços, o corpo, e uma perna. Seu crânio, corpo e pé são preenchido por linhas estriadas que sugerem um esqueleto. Estirado ao longo do precário e pequeno barco no qual se encontra, homem e embarcação formam um único elemento principal sorumbático. Suas duas mãos mergulhadas na água e a boca aberta sugerem sede, e consequentemente sofrimento. Finas linhas delineam as formas de casas, prédios ou barracões ao fundo da imagem.



29 de setembro de 2009

Poe-minhas



Com um poema visual  começo

retomando o grandissí-ssi-mo Arnaldo Antunes

Agora vamos de Mario Quintana, de Velório sem Defunto. Ed. Globo.

Crenças

Seu Glicínio porteiro acredita que rato, depois de velho, vira morcego

-É uma crença que ele traz da sua infância

Não o desiludas com o teu vão saber,

Respeita-lhe os queridos enganos:

Nunca se deve tirar o brinquedo de uma criança

-Tenha ela oito ou oitenta anos!

Baudelaire

Baudelaire, fervoroso adepto e puxa-saco de satã,

Meu Deus! era demais até...

Mas Deus esperou pacientemente que ele morresse

E, para vingar-se dele de uma vez por todas,

O mandou para o Reino dos Céus!

Da imparcialidade

O homem - eternamente escravo de suas paixões pessoais -

É absolutamente incapaz de imparcialidade

Só Deus é imparcial

Só Ele é que pode, por exemplo,

Abençoar, ao mesmo tempo, 

As bandeiras de dois exércitos inimigos que vão entrar em luta...

11 de agosto de 2009

Em viagem a Ouro Preto pude visitar o Museu Casa Guignard e assim conhecer um pouco da vida e obra desse artista, cujo nome completo é Alberto da Veiga Guignard. O local foi mesmo a casa do artista no período em que morou na cidade.

Existe um projeto de digitalização e catalogação de suas obras, o Projeto Guignard, onde é possível conhecer e pesquisar um grande acervo que já está disponível no site. O projeto ainda se encontra inacabado.

Pequena biografia extraída do site do Projeto Guignard:

"Alberto da Veiga Guignard nasceu em Nova Friburgo, RJ, em 1896 e morreu em Belo Horizonte, em 1962. Velado no Palácio da Liberdade, seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, cidade à qual dedicou grande parte de sua vida e obra.

Guignard estudou na Europa e, na década de 30, atuou intensamente no Rio de Janeiro. Em 1944, convidado pelo então prefeito Juscelino Kubitschek, criou, em Belo Horizonte, a Escola que hoje tem o seu nome e pertence ao Governo do Estado.

Mudou, assim, as perspectivas da criação artística em Minas.

É considerado um dos maiores pintores e desenhistas brasileiros do século XX. Encantado pela paisagem das cidades históricas de Minas, especialmente Ouro Preto, mitificou o tema numa obra que se impôs ao respeito e à admiração do Brasil."

10 de agosto de 2009

Kunst Ja


Assistindo uma animação bonitinha sobre arte chamada "KunstBar" indicação de um amigo de um amigo, descobri duas coisas! Primeiro, que kunst é arte em alemão, portanto o filminho em minha tradução livre, chama-se "bar das artes". Depois, brincando de adivinhar o nome das obras e dos artistas que recheiam o vídeo, finalmente descobri o nome dA artista que criou aquelas aranhas gigantes que vi por Tokyo, Londres e São Paulo... E o nome dela é : Louise Bourgeois!! Que é uma artista francesa, vivinha da silva e quase completando o seu centenário.

Será que estou mesmo certa? Alguém conhece mais algum artista que faz esculturas de aranhas gigantes??

Pra mim a primeira vista as esculturas são pavorosas, como que saídas de um pesadelo ou filme de terror. Imagine deparar-se com uma aranha superdesenvolvida! Mas depois de chegar mais perto, andar por debaixo dela, passa-se a uma experiência completamente diferente, para mim lúdica, como se entrássemos em um cenário de filme! Pra quem não tem nada contra aranhas melhor ainda, porque passa direto para a fase divertida. : )


" The purpose of the pieces are to express emotions. My emotions are innapropriate to my size, my emotions are my demon... (Her work represents) not the emotions themselves it's the intention of the emotions. There are too much for me to handle that's why I transfer them. I transfer the energy into sculpture. This apply to everything I do. It has nothing to do with the craft. It has nothing to do with how to manage the materials... The subject of the artists are the emotions and the ideas. Both."

*ps: Um dia ainda colocarei minhas próprias fotos !!

3 de agosto de 2009

Inhotim

Hélio Oiticica, Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe, 1977, foto: Carol Reis

É um museu dentro de um parque ambiental, com obras a céu aberto perto de Belo Horizonte, numa cidadezinha chamada Brumadinho.

Seu acervo inclui obras contemporâneas de artistas nacionais e estrangeiros de produção na década de 60 até os anos mais atuais. O museu foi inaugurado em 2005, mas a coleção foi iniciada desde os anos 80.

Preciso visitá-lo na minha próxima visita a Minas Gerais!!

13 de junho de 2009

Exposição Vik Muniz

Pontos altos da exposição

- Desenhos feitos com arame: papel, substância física, desenho.
Sobre a escolha do material... "Lápis são como atores, bons atores não tem distinção entre ator e personagem. Arame são maus atores, as pessoas sempre ficam atentas ao meio de produzí-las."

-Série Monadas (Monads).
Pra começar, o que significa monada? Bem, é algo único, simples, que pode fazer parte de outros compostos, mas ela própria indestrutível, indissolúvel. Essa é a série composta por desenhos/esculturas feitas de brinquedinhos. Entende agora porque monadas?
Muito parecida com essa é a série Rebus. Onde imagens são formadas porém com brinquedinhos diversos.

"Você só é jovem uma vez na vida, mas isso pode durar a vida inteira" (V. M.)

-Série Earthworks.
A inspiração para esse trabalho foram as obras de earthwork, ou land art ou ainda earth art, que foi um movimento que emergiu nos Estados Unidos no final da década de 60 e início de 70. Era uma forma de protestar contra o mercade de artes. As esculturas eram feitas ao ar livre e sujeitas a intempéries, ou seja, eram efêmeras, portanto o que restou delas são apenas registros de vídeo e fotografia. Uns de seus maiores expoentes são : Robert Smithson (Spiral Jetty), Michael Heizer e Walter de Maria.
Nessa série ele brinca com as fotos dos desenhos simples e bobos feitos nas areias do deserto em tamanho gigante e outras em tamanho pequenos misturadas, convidando o espectador a distingui-las.

Uma coisa que chama a atenção é o grande senso de humor do artista. Pois vendo vídeos de entrevistas e workshops, você percebe o quanto além de criativo, sensível e inteligente ele é muito alegre e de bem com a vida!




5 de abril de 2009

Slumdog


Uma reportagem do Headlines Today chamou a música Jai Ho - vencedora do Oscar - de "o novo hino da Índia", referindo-se a Rahman como "lenda viva".

A trilha sonora é animada, mas prefiro a música clássica indiana. Bem melodiosa, com aquela interpretação de rasgar o coração, apesar de não entender uma palavra sequer da letra...

O filme é um pouco exagerado no quesito romantismo, principalmente o final, que é bem água-com-açúcar. Mas não deixa de ter um roteiro bem interessante!

http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/02/090223_oscarindiagd.shtml

12 de janeiro de 2009

Made in China

Dois artistas me chamaram a atenção na exposição China: CONSTRUÇÃO - DESCONSTRUÇÃO que acontece no MASP. São ao todo 45 obras de 16 artistas chineses.

Um deles é o fotógrafo Wang Qingsong, constrói cenários e produz fotos de teor crítico, em relação ao consumismo, ao capitalismo disfarçado, e os males da sociedade em geral. Atola o pé na estética kitsch.


Outro artista é Xiong Yu. "Pintor de formação clássica pode se libertar do realismo social para criar uma linguagem artística própria respaldada em seres provenientes de um universo surreal. Estas criaturas surgem de seu imaginário como andrógenos e mais recentemente como caracteres do zodíaco a fortalecer e ressaltar a crença do povo chinês. Os protagonistas emergem repletos de simbologia, leveza e metáforas, dando visão à individualidade espiritual da sociedade, a qual se viu por décadas presa em estereótipos de poder, a demarcar o comportamento humano sem criar vazios para o imaginário. Esse ressurge na obra de Xiong Yu como um ser autônomo e onipresente". (Não me recordo a fonte!! Foi mal...)

31 de outubro de 2008

Neotropicalia - When Lives Become Form





Fachada do Museu de Artes Contemporânea de Tokyo agraciada com obra da brasileira Beatriz Milhazes





Tão triste falar de uma exposição que você não foi, ou como é o caso, não vai poder ir. Mas tentando deixar a tristeza de lado, vou falar desta que começou no dia 22 de outubro e vai até 12 de janeiro chamado Neotropicalia - When Lives Become Form no Museu de Arte Contemporânea de Tóquio.

Bom, a Tropicália tem dado o que falar nos últimos tempos porque vez ou outra a gente sempre ouve falar de uma exposição aqui e outra ali, por um lado é bom porque acaba trazendo visibilidade também para outros artistas brasileiros da atualidade. Porque uma hora é o Helio Oiticica exposto em Londres, depois OsGemeos e Nunca que pintam a fachada do Tate Modern... Muito bacana!! Mas acho que essa expressão já está ficando um pouco amarrotada, tropicália... Parece que querem nos enterrar na tropicália quando ao contrário, acredito que evoluímos através da tropicália. Por isso acho um tanto quanto equivocado esse título Neo-Tropicália, devia ser algo como Do Brasil- Tropicália e Muito Mais, ou Da Tropicália ao Atropical...

Acho tão falsa essa imagem, parte por culpa nossa, eu sei, de que moramos num país tropical abençoado por deus e bonito por natureza... Mas que beleza!! E que somos só cores saturadas!! Aqui não existe só o Carnaval, caramba!!

Bom, mas a seleção dos artistas é bem interessante!! Vai desde o criador do tropicalismo Helio Oiticica, junto com as suas contemporâneas Lygia Pape e Clark, Arthur Bispo do Rosário, entrando no campo da arquitetura com Lina Bo Bardi, Ruy Othake e também Tomie, indo para os designers de moda Isabela Capeto, Ronaldo Fraga, Jun Nakao, passando por Vik Muniz, Beatriz Milhazes e chegando nos artistas de rua, osGemeos, sendo ao todo 27 artistas.

É uma miscelânia incrível de diversas formas de manifestações artísticas da atualidade mas que propositadamente leva os espectadores a se encantarem pelo poder das cores vibrantes. Bom, o que eu quero dizer é que a nossa cultura é diversa e difusa e muito mais rica do que rotulam pelo mundo afora, tendo cada artista a sua peculiaridade!!

O site do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio é triste de ver, por isso o site da exposição é bem mais atraente!!

O espelho do fim dos tempos

Aquele médico anatomista chamado Gunther von Hagens inaugurou mais uma exposição bizarra e medonha chamada Body Worlds and The Mirror of Time. Me recuso a colocar fotos, e talvez não devesse nem comentar, mas a minha indignação é tamanha toda vez que ele faz mais uma exposição, que não consegui me conter!!
Não sei se o que me irrita mais são suas pretensões artísticas ou a sua pseudo-desculpa de que o seu trabalho tenha um fundo educativo.
Somente para fazer um resumo, ele se utiliza de corpos humanos dissecados através de uma técnica inventada por ele chamada plastinação, retirando todos os fluidos do corpo e substituindo por silicone, para fazer esculturas.
Sem entrar na questão ética ou em como ele consegue os corpos, se é de forma lícita ou não, e mesmo sem ter tido o desprazer de "prestigiar" uma de suas exposições, o que também nunca irá acontecer, portanto baseado somente em fotos e o impacto que elas já me causaram eu preciso registrar que essa espécie de trabalho, sem valor artístico tampouco educativo, é algo completamente desnecessário. É simplesmente grotesco, vulgar, um verdadeiro show de horrores que me parece ter somente a finalidade de atrair holofotes e inflar o ego desse pretenso médico-artista.


27 de julho de 2008

Anima Mundi 2008

Só pra constar que cheguei a ir no evento. Mas não consegui ver nenhum filme! Legal que no site dá pra assistí-los depois, se for logo atualizado...


* Leia matéria da Folha que fala de um dos destaques do Anima Mundi desse ano que é o mestre do "stop-motion", o norte- americano Ray Harryhausen.


9 de julho de 2008

Garotas Virgens - Carlos Zefiro

Dedico este post a uma amiga que nem sonha que eu possuo esse blog e muito menos que vou escrever sobre nossa conversa. Então acho melhor deixar tudo mesmo no anonimato, certo?

Bom, falando sobre quadrinhos e pornografia essa conversa me levou a recordar da homenagem que a Marisa Monte fez a Carlos Zefiro (1921-1992) em seu álbum "Barulhinho Bom" de 1997 e resolvi pesquisar um pouquinho mais sobre o seu trabalho. Confesso que foi uma pesquisa muito rápida, devido à minha falta de tempo atual, mas digamos que gostei muito do pouco que vi.

Uma curiosidade foi que Carlos Zefiro, cujo nome verdadeiro era Alcides Aguiar Caminha se manteve no anonimato até pouco tempo antes de sua morte, escondendo seu trabalho paralelo até mesmo de sua família. Como era funcionário público, temia por um escândalo e uma possível demissão. Lembrando que a pornografia, naqueles tempos onde reinava o falso moralismo, era um grande tabu e o acesso a ela também era bem mais dificil que nos dias atuais.

Aqui algumas cenas de um de seus "catecismos" (dizem ser o apelido de suas histórias) e confira mais coisas no seguinte site: http://www.carloszefiro.com/



27 de maio de 2008

Nova Objetividade Brasileira (1967)- Parte 2: Lygias e contexto

LYGIA PAPE, (1927-2004), escultora, gravadora e cineasta. E LYGIA CLARK, (1920- 1988), pintora e escultora. Ambas participaram da primeira exposição em 1954 do Grupo Frente, com influências do construtivismo russo, liderados pelo artista carioca Ivan Serpa (1923-1973).

Ainda sobre o Grupo Frente, esse movimento tinha como característica possuir diferentes estilos
sendo o elo de união entre seus integrantes a rejeição à pintura modernista brasileira de caráter figurativo e nacionalista, optando pelo abstração geométrica. Helio Oiticica une-se depois aos fundadores do grupo.

A 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta em 1956, organizado pelos artistas concretos de São Paulo (Grupo Ruptura) e participação dos cariocas (Grupo Frente) ressalta as evidentes diferenças entre esses dois núcleos, dando início a uma nova fase da arte concreta brasileira. O crítico Mário Pedrosa (1900-1981) - que em 1949 escreve tese pioneira sobre a relação entre arte e psicologia da gestalt, que muito alimenta os artistas concretos - publica artigo sobre a exposição e observa a diferença entre paulistas, que seriam mais teóricos e dogmáticos, e cariocas, intuitivos e empíricos.

Após a mostra, o Grupo Frente simultaneamente rompe com os artistas de São Paulo e começa a se desintegrar. Dois anos depois, alguns de seus integrantes iriam se agrupar para iniciar o Movimento Neoconcreto um dos mais significativos da arte brasileira. Em 1959 os artistas cariocas que romperam com o concretismo publicando o Manifesto Neoconcreto, realizam a 1ª Exposição de Arte Neoconcreta no MAM/RJ.

No Manifesto Neoconcreto,
os signatários colocam-se contra a exacerbação racionalista a que os concretistas haviam levado sua obra. Defendem a introdução da expressão na obra de arte, rejeitando o primado da razão sobre a sensibilidade. A dissolução do grupo se deu em 1961.

Em 1967, as artistas (Lygia Pape e Lygia Clark) participam da exposição e movimento Nova Objetividade Brasileira.

Trechos reescritos ou retirados da Enciclopédia Itaú Cultural.
Site bacana que fala Grupo Frente do MAC:
http://www.mac.usp.br/projetos/seculoxx/modulo3/frente/index.html.
Um site bem completo sobre a Lygia Pape: http://www.lygiapape.org.br/lygia_pape.php


28 de março de 2008

Japoneses no Brasil

A Exposição Um Círculo de Ligações: Foujita no Brasil, Kaminagai e o jovem Mori, apresenta a relação entre esses três artistas e os seus contatos, relacionamentos com o nosso país e possíveis influências.

Tsuguharu Foujita (1886-1967)
. Nasceu em Tokyo, onde estudou artes, mas logo depois de se formar mudou-se para Paris, onde conheceu e fez parte da roda de outros artistas como Picasso, Matisse, Modigliani.

Mesclando técnicas, utilizando tinta a óleo (das pinturas francesas) com os pincéis e o estilo das pinturas japonesas ganhou fama e reconhecimento sendo apreciado especialmente por pintar belas mulheres e gatos.

Visitou o Brasil em fins de 1931 por quatro meses, durante um tour pela America Latina, onde fez contato com artistas do modernismo brasileiro, principalmente Candido Portinari.

Tadashi Kaminagai (1899-1982). Nasce em Hiroshima, e depois de desistir de se tornar um monge budista, decide estudar artes em Paris.

Chegando na cidade, trabalha numa restauradora de objetos artísticos e nas horas vagas dedicava-se a pintura. Ganha notoriedade primeiro como moldureiro, desenvolvendo uma técnica peculiar de pátina, que chama a atenção de Ambroise Vollard, famoso merchant e colecionador de artes. Vollard requisita o seu trabalho para emoldurar pinturas de artistas como de Eduard Manet, Paul Cézanne e Vincent Van Gogh, tornando-o famoso.

Voltou para o Japão, mas o país pós-guerra oferecia poucas oportunidades, o que o leva a tentar uma vida no Brasil em 1940. Através de uma carta de recomendações, Foujita apresenta-lhe a Portinari. Este introduz-lhe a diversos artistas, entre eles Massami Tanaka, que pede a Kaminagai que ensine pintura a seu filho Flavio Shiró Tanaka.

Instala-se primeiro no bairro de Santa Teresa (RJ), local de grande agitação artística, onde abriu o seu primeiro ateliê-oficina. Lá faz molduras e leciona pintura para artistas brasileiros e nipo-brasilieros. E participa do Grupo Seibi com outros artistas como Tomie Ohtake e Manabu Mabe.

Mora no Brasil durante 14 anos, retratando paisagens de diversas cidades, mas dá uma atenção especial ao Rio de Janeiro. Volta para o Japão onde casa-se e abre mais um ateliê. Constantemente viaja para a França, onde inaugura o seu terceiro ateliê , mantendo os três em atividade até sua morte.

Jorge Mori (1932). Nasceu em São Paulo e artista precoce inicia em 1944 estudos de pintura a óleo com Yoshya Takaoka.

A exposição apresenta desde sua primeira pintura, Ponte Velha do Rio Pinheiros (1945), quando tinha apenas treze anos, até sua produção aos vinte anos de idade, quando em 1952 resolve ir para Paris aprofundar seus estudos. Mori é apresentado a Foujita, que está em Paris por Kaminagai, e reside por lá durante 28 anos.

Durante esta fase, as pinturas de Mori possui influências marcantes de tendências européias como o pós-impressionismo, fovismo e pós-cubismo.

Veja um vídeo sobre a exposição da TV Cultura.

27 de março de 2008

Ainda é possível ser original?!


Mona Lisa (sec. XVI) de Leonardo da Vinci ao fundo, e no sentido horário começando por baixo, A Mona Lisa L.H.O.O.Q. = Elle a chaud au cul (1919) de Marcel Duchamp, La Mona Lisa a los doce anõs (década de 60) de Fernando Botero, e a Mona Cat de Romero Britto.

Uma pessoa que pensa ter tido uma idéia nova pois não sabia que essa já existia, está sendo criativa? Acredito que sim, porque ser criativo é diferente de ser original, certo?! É possível uma pessoa ser muito criativa ainda hoje, mas ainda é possível criar algo realmente novo, nunca antes pensado?

Às vezes acho que já criaram de tudo, e todas as combinações possíveis também. Nesse meu processo de aprendizado sobre movimentos artísticos tenho a impressão de que já deram todos os "nomes aos bois", que eu nem imaginava que existissem, muito menos que tivessem sido classificados, dentre técnicas e estilos.

Originais mesmo será que foram só os artistas do passado? Os vanguardistas de hoje conseguem criar algo que não tenha influência ou faça referência a nenhum movimento ou estilo anterior? Não, não acho possível. Porque não é mais possível criar nada novo com os recursos antigos, acho sim que isso já está praticamente esgotado. Mas como a criatividade quando estimulada não se esgota, criarão-se novos recursos e com eles idéias originais espero que sempre venham a surgir.